Jean de La Fontaine
nascem em 8 de julho de 1621 na cidade de Château-Thierry
e faleceu em Paris no dia 13 de abril de 1695. Ele foi um poeta e
fabulista francês, escreveu o romance "Os Amores de Psique e
Cupido" e tornou-se próximo dos escritores Molière e Racine.
Com a queda do ministro
Fouquet, La Fontaine tornou-se protegido da Duquesa de Bouillon e da Duquesa
d'Orleans. A sua grande obra, “Fábulas”, escrita em três partes, no período de 1668 a 1694,
seguiu o estilo do autor grego Esopo, o qual falava da vaidade, estupidez
e agressividade humanas através de animais. La Fontaine é considerado o pai da
fábula moderna.
Sobre a natureza da
fábula declarou: “É uma pintura em que podemos encontrar nosso próprio retrato”.
Algumas fábulas escritas e reescritas por ele são A Lebre e a Tartaruga, O
Homem, A Cegonha e a Raposa, O Menino e a Mula, O Leão e o Rato, e O
Carvalho e o Caniço, a Raposa e a Uva.
1) A
Lebre e a Tartaruga
Certo dia, a lebre que era muito
convencida, desafiou a tartaruga para uma corrida, argumentando que ela era
mais rápida e que a tartaruga nunca a venceria. A tartaruga começou a treinar enquanto
a lebre não fazia nada.
Chegou o dia da corrida. A lebre e a
tartaruga colocaram-se nos seus lugares e, após o sinal, partiram. A tartaruga
estava a correr o mais rápido que conseguia, mas rapidamente foi ultrapassada
pela lebre, que percebendo já estar a uma longa distância da sua concorrente,
deitou-se e dormiu.
Enquanto a lebre dormia não se dava
conta que a tartaruga se ia aproximando mais rapidamente da linha de chegada.
Quando acordou, a lebre, horrorizada, viu que a tartaruga estava muito perto da
linha de chegada. Assim, a lebre começou a correr o mais depressa que pode,
tentando, a todo o custo ultrapassar a tartaruga. Mas não conseguiu.
Moral
da história: Devagar se vai ao longe!
2) A
Tartaruga Aviadora
Por
Lá Fontaine
Adaptação: Nicéas
Romeo Zanchett
Um certo dia, uma tartaruga encontrou-se com dois patos
emigrantes. Ficou horas admirada, ouvindo-lhes contar suas grandes viagens pelo
Vocês é que são felizes, dizia a tartaruga, suspirando
resignadamente. Eu também gostaria de viajar, mas ando muito devagar.
- Por que não nos acompanha? Vamos correr o mundo a
três... disse um dos patos.
- Como poderei ir, se não sei nem ao menos andar
depressa pelo chão, quanto mais voar por essas alturas e distâncias?
- Podemos ajudá-la, fazendo como os
aviadores. Nós seremos os pilotos e você irá como passageira.
- Mas, meus amigos, onde está o
avião?
- Não se preocupe. Nós arranjaremos tudo,
já!
Pegaram um pau roliço e comprido, e mandaram
que a tartaruga se dependurasse nele, com a boca, fortemente. Em seguida cada
um pegou uma das pontas do bastão. E lá se foram pelos ares, batendo as
asas compassadamente e levando a feliz tartaruga.
- Segure-se bem,
"agarre-se" com força, comadre tartaruga!, gritou um dos patos. A
viagem é comprida!...
La da terra, os animais e as
pessoas, admiradas, erguiam a cabeça, fixavam bem os olhos; estavam espantados por
ver uma tartaruga voando.
- Olhem, olhem, gritam alguns deles,
apontando para o céu. Nunca tinha visto uma tartaruga voar! Aquela deve ser a
rainha das tartarugas!...
E todos riam gostosamente.
A tartaruga voadora, sentia-se
orgulhosa por ser admirada.
- Sou mesmo a rainha, ia
respondendo a ingênua tartaruga, mas não chegou a pronunciar nem a primeira
silaba, porque, ao abrir a boca, soltou-se do bastão e caiu como um raio,
espatifando-se no chão.
Os patos continuaram seu voo,
porque é o que mais sabem fazer. E ficaram comentando:
- Da próxima vez que trouxermos alguém
que não sabe voar, é melhor providenciarmos um paraquedas.
MORAL
DA HISTÓRIA: Quando tentamos fazer algo para o qual não estamos
preparados, podemos nos dar muito mal. Como se diz: “cada macaco no seu
galho".
3) O Lobinho Sabichão
Um lobo e uma raposa
tinham nascido ao mesmo tempo e crescido juntos na floresta. Lá, na cova onde
vieram ao mundo, também estudaram juntos as primeiras lições de vida.
Crescidinhos, os dois estudantes
quiseram conhecer o mundo.
Caladinhos, às escondidas, sem que os pais nada percebessem, fugiram da
toca, correram uma grande distância, afundaram-se na florsta e depois começaram
a perambular de mata em mata.
No meio de um campo onde
tinham chegado, e que lhes pareceu infinitamente extenso, estava um belo cavalo
alto e gordo pastando sossegadamente, sem dar a mínima importância aos dois
viajantes.
Estes, quando o viram,
pararam estupefatos, sem saber o que fazer. Estavam a ponto de fugir
desabaladamente, pois o medo era terrível.
- Quem será? perguntou,
afinal, a raposa, um tanto senhora de si.
O lobinho, que se
julgava um sábio, também não sabia. Como não queria confessar sua ignorância,
começou a falar entredentes, enquanto coçava uma orelha.
- Eu sei, sei muito bem. O seu nome está na ponta da minha língua! É que, no momento, não sou capaz de lembrar-me...
- Eu sei, sei muito bem. O seu nome está na ponta da minha língua! É que, no momento, não sou capaz de lembrar-me...
- Pois
bem, propôs a raposa, o melhor é irmos perguntar-lhe, em vez de ficarmos aqui
parados, enquanto a memória está falhando.
Encaminhando-se para perto do cavalo, fez-lhe uma graciosa reverência e
perguntou ao desconhecido:
- Ilustrícimo senhor, estes vossos
humildes servidores desejam saber qual o vosso nome?
O interpelado, a quem aqueles
intrusos estavam aborrecendo, respondeu atravessadamente:
- Meu nome está escrito nas minhas
ferraduras. Se quiserem sabê-lo, leiam! E ergueu uma pata traseira.
A raposa, muito finória, desculpou-se,
dizendo que era ainda muito criança e não sabia ler bem; enquanto que o
lobinho, querendo aproveitar a oportunidade para exibir-se vaidosamente diante
daquele soberbo animal, foi depressa ler o nome na ferradura.
O cavalo deu-lhe, então, um valente coice, atirando-o longe.
O cavalo deu-lhe, então, um valente coice, atirando-o longe.
- Ai... ai... ai... gritou o
bichinho, cheio de dores, mas ainda capaz de correr e fugir.
A raposa, correndo a seu lado, perguntou-lhe zombateira:
A raposa, correndo a seu lado, perguntou-lhe zombateira:
- Esta lição você ainda não tinha
estudado?
MORAL DA HISTÓRIA - A soberba pode nos
levar a situações perigosas. Portanto, nunca devemos fingir conhecer o que, de
fato, desconhecemos apenas para satisfazer nosso orgulho.
Os
dois burros caminhavam um ao lado do outro. Um carregava aveia e outro,
dinheiro. O segundo, orgulhoso de sua carga, caminhava cheio de vaidade.
Surgiram dois bandidos, que se atiraram sobre ele e o cobriram de pauladas para
arrancar-lhe a carga. O outro burro então lhe disse: “Amigo, nem sempre é bom
ter emprego importante”. Se você estivesse servindo um moleiro (moinho de
cereais), como eu sirvo, estaria são e salvo.
MORAL DA HISTÓRIA: O orgulho não leva a boa coisa. É melhor um trabalho humilde, mas digno. (Diariamente vemos noticias de pessoas que vivem de forma gananciosa e sempre acabam em maus lençóis). Isso tem ocorrido muito na política brasileira, onde os poderosos usam do seu poder e roubam o dinheiro do povo; mas no final sempre se dão mal. Deus existe!



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