Acadêmica: Victoria Almeida da Silveira
Curso: História Licenciatura
Caro senhor Lucena,
Curso: História Licenciatura
Caro senhor Lucena,
Discordo
completamente da sua opinião sobre a redução da maioridade penal. Acredito que
os cidadãos de bem que o senhor tanto se refere não conheçam a realidade de uma
favela brasileira. Sabemos que com a guerra contra as drogas, a crescente
violência policial vem atingindo essas comunidades e inclusive tirando vidas de
jovens inocentes. Para os adolescentes habitantes dessas favelas, que lidam com
essa rivalidade entre policiais e traficantes, é fácil decidir de que lado elas
estão quando o assunto é segurança. O traficante protege a favela, enquanto o
policial mata seus amigos. Portanto, puni-los, quando estão apenas seguindo a
opção mais fácil, ao invés de reabilitá-los através de programas educacionais,
por exemplo, é algo que chega a ser desumano.
Encarcerar
os jovensé negá-los uma segunda chance, antes de chegarem à vida adulta. Os
sistemas carcerário e judiciário no nosso país não são eficazes, muito menos
cumprem seu papel em corrigir aqueles que infringem a lei. Então, se esses
sistemas não dão conta de seus adultos, como irão lidar com suas crianças e
adolescentes? Não há nenhum estudo que comprove que este método irá formar
melhores adultos.
Além
disso, a redução da maioridade penal irá prejudicar, principalmente, jovens negros
e pobres, pois o racismo e o preconceito por classes inferiores à classe média
ainda existe. Seu artigo trata esses jovens como marginais,que ameaçam o
cidadão de bem que nada tem a ver com suas vidas. Eles não são marginais, mas,
sim, pessoas esquecidas por um sistema falho e corrupto. Puni-las não
iráerradicar a violência que, inclusive, é apenas 1% cometida por adolescentes
menores de 18 anos.
Castigá-los
é mais fácil, mas educá-los é o que realmente traz efeitos. O senhor, e pessoas
que têm seu pensamento, não pensam em educar esses jovens porque os têm como
casos perdidos. Veja bem, não existem casos perdidos. O que existe é um sistema
que não quer educar e pessoas que não querem ajudar, como o senhor. Seus
argumentos se perdem ao citar que “sem punição a atos ilícitos, nenhuma
sociedade pode crescer e ser formadora de opinião”, pois punição não é sinônimo
de crescimento.
Para
finalizar esta carta, gostaria de concluir que tais questões citadas em seu
texto, a guerra contra as drogas, o sistema corrupto e a falta de investimento
na educação não irão ser solucionadas com a redução da maioridade penal. Um
jovem de dezesseis anos que sofre com essa violência todos os dias não é maturo
o suficiente para responder por suas ações e merece sim uma segunda chance de
se tornar um adulto melhor e, quiçá, um “cidadão de bem”.
Atenciosamente,

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