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terça-feira, 16 de setembro de 2014

Poemas do autor Mario Quintana



Mário de Miranda Quintana foi um poeta, tradutor e jornalista brasileiro que nasceu no dia 30 de  julho de 1906 em Alegrete. Ele fez as primeiras letras em sua cidade natal, mudando-se em 1919 para Porto Alegre, onde estudou no Colégio Militar, publicando ali suas primeiras produções literárias. Trabalhou para a Editora Globo e depois na farmácia paterna. Considerado o "poeta das coisas simples", com um estilo marcado pela ironia, pela profundidade e pela perfeição técnica, ele trabalhou como jornalista quase toda a sua vida. Traduziu mais de cento e trinta obras da literatura universal, entre elas Em Busca do Tempo Perdido de Marcel Proust, Mrs Dalloway de Virginia Woolf, e Palavras e Sangue, de Giovanni Papini.
Em 1953, Quintana trabalhou no jornal Correio do Povo, como colunista da página de cultura, que saía aos sábados, e em 1977 saiu do jornal. Em 1940, ele lançou o seu primeiro livro de poesias, A Rua dos Cataventos, iniciando a sua carreira de poeta, escritor e autor infantil. Em 1966, foi publicada a sua Antologia Poética, com sessenta poemas, organizada por Rubem Braga e Paulo Mendes Campos, e lançada para comemorar seus sessenta anos de idade, sendo por esta razão o poeta saudado na Academia Brasileira de Letras por Augusto Meyer e Manuel Bandeira, que recita o poema Quintanares, de sua autoria, em homenagem ao colega gaúcho. No mesmo ano ganhou o Prêmio Fernando Chinaglia da União Brasileira de Escritores de melhor livro do ano. Em 1976, ao completar setenta anos, recebeu a medalha Negrinho do Pastoreio do governo do estado do Rio Grande do Sul. Em 1980 recebeu o prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto da obra.



1) Poeminha do contra

Todos estes que aí estão
Atravancando o meu caminho
Eles passarão
Eu passarinho!
 
2) Canção do dia de sempre

Tão bom viver dia a dia…
         A vida assim, jamais cansa…
         Viver tão só de momentos
         Como estas nuvens no céu…
         E só ganhar, toda a vida,
         Inexperiência… esperança…
         E a rosa louca dos ventos
         Presa à copa do chapéu.
         Nunca dês um nome a um rio:
         Sempre é outro rio a passar.
         Nada jamais continua,
         Tudo vai recomeçar!
         E sem nenhuma lembrança
         Das outras vezes perdidas,
         Atiro a rosa do sonho
         Nas tuas mãos distraídas… 

 3) Bilhete

Se tu me amas, ama-me baixinho
         Não o grites de cima dos telhados
         Deixa em paz os passarinhos
         Deixa em paz a mim!
         Se me queres,
         enfim,
         tem de ser bem devagarinho, Amada,
         que a vida é breve, e o amor mais breve ainda…

4) Os Poemas

Os poemas são pássaros que chegam
         não se sabe de onde e pousam
         no livro que lês.
         Quando fechas o livro, eles alçam vôo
         como de um alçapão.
         Eles não têm pouso
         nem porto
         alimentam-se um instante em cada par de mãos
         e partem.
         E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
         no maravilhado espanto de saberes
         que o alimento deles já estava em ti…



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