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quinta-feira, 11 de maio de 2017

Eu e a Escrita

 “Eu e a escrita”
        
        Discente: Alberto Teixeira
        Matrícula: 116214 - Artes Visuais/Bacharelado   

Diversas janelas – algumas cobertas por uma fina cortina, outras não –  permitiam que a luz natural da rua adentrasse e preenchesse o ambiente com uma luminosidade sutil e agradável. Meus mais novos colegas se mantinham com a cabeça baixa, concentrados e focados em completar a proposta feita pela professora, com destreza. Contudo, isso é uma questão de aparências, afinal de contas pela visão de terceiros eu provavelmente parecia tão focado quanto qualquer um deles, embora estivesse longe de sentir-me focado. A cada troca de música, que me permiti ouvir a fim de encontrar o foco, a ínfima movimentação alheia, a sombra do ventilador que girava, girava e girava, como meus pensamentos, na velocidade da luz; tudo era suficiente para me desfocar.
O desvio constante do foco me fizera recordar de um sonho distante de criança: o de ser escritor, e isso trouxe consigo a melancolia de ser, ou se sentir, incapaz de alcançar um sonho. “Não desista dos seus sonhos, nada é impossível”, eles diziam, em silêncio, enquanto você perde o foco, enquanto perde a noção, dissocia e sente-se fora de si, sente-se tudo, sente-se o nada, mas não se sente você mesmo.
Mais uma vez, perda de foco.
Sempre gostei de criar personagens e a história deles. Olhando para o meu passado eu diria que são mais de duzentas histórias começadas, sem nunca ter um fim escrito. Este, entretanto, está somente na minha cabeça, deixando mil e uma histórias serem escritas na minha psiquê, enquanto me sinto “livre” e exposto aos estímulos sensoriais, sem foco, nunca, sempre focando em tudo e em absolutamente nada.
Assim, me distanciei de único objetivo, um único sonho; me permiti desistir da escrita e usá-la geralmente como forma de “por pra fora” – como o que faço com a arte em geral – o que se passa na mente bagunçada e perturbada de um jovem adulto qualquer.
Este texto pode não ter “nem pé, nem cabeça”, tampouco fazer algum sentido, mas sentado nessa cadeira, desfocado em um cenário complexo, observo meus colegas. A sala não parece mais agradavelmente iluminada, meus batimentos cardíacos aceleram razoavelmente pelo sentimento de incapacidade de completar a tarefa proposta, tudo parece sombrio agora. E não que isso seja necessariamente ruim, mas será que apenas escureceu de repente ou foi só mais uma perda de foco?

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